Uma nova família de ransomware chamada Osiris foi identificada em 2025 por pesquisadores da Symantec após um ataque a uma grande empresa no Sudeste Asiático. Além disso, a análise do malware revelou capacidades técnicas que tornam a recuperação convencional por backup significativamente mais difícil — e que redefinem o protocolo de proteção que as empresas precisam adotar agora.

O que é o ransomware Osiris e por que ele é diferente

O Osiris não é apenas mais uma variante de ransomware. Além disso, os pesquisadores da Symantec foram explícitos: trata-se de uma família completamente nova, sem conexão com o ransomware homônimo de 2016, com características técnicas que indicam operadores experientes e sofisticados.

O malware usa criptografia híbrida avançada combinando ECC (Elliptic Curve Cryptography) e AES-128-CTR, com chaves únicas geradas para cada arquivo criptografado. Portanto, ao contrário de ransomwares mais simples que usam uma única chave para toda a operação, o Osiris torna a recuperação pela chave praticamente impossível — mesmo que os criminosos a entreguem, ela só funciona arquivo a arquivo.

A técnica mais perigosa: destruição de backups antes da cifragem

O aspecto mais preocupante do Osiris não é a criptografia em si — é o que ele faz antes de cifrar. O ransomware encerra bancos de dados e serviços de backup enquanto deleta snapshots de volume para prevenir recuperação. Essa sequência é devastadora para empresas que dependem de VSS (Volume Shadow Copy) e snapshots de VM como linha de defesa.

Por isso, quando o Osiris termina sua fase de preparação, a empresa frequentemente descobre que:

  • Os serviços de backup foram encerrados antes da cifragem começar
  • Os snapshots de volume foram deletados sistematicamente
  • Os logs de backup aparecem como bem-sucedidos mas os arquivos não existem mais

Portanto, a estratégia de “backup funciona como última linha de defesa” é especificamente o que o Osiris foi desenhado para neutralizar.

Living off the Land: usando as próprias ferramentas da empresa

A campanha revelou como cibercriminosos modernos abusam de utilitários cotidianos do Windows junto a software malicioso desenvolvido sob medida para evitar detecção e burlar controles de segurança. Na prática, o Osiris usa ferramentas como:

AnyDesk e MeshAgent: ferramentas legítimas de acesso remoto usadas para persistência e movimentação lateral sem disparar alertas de antivírus — afinal, essas ferramentas são usadas por equipes de TI legitimamente.

PsExec: utilitário da Microsoft Sysinternals usado para executar processos remotamente. Por isso, o malware executa comandos nos servidores sem instalar nada adicional.

Mimikatz: o ransomware utilizou o Mimikatz para extração de credenciais, especificamente em uma versão renomeada como kaz.exe. Com as credenciais extraídas, os atacantes se movem lateralmente por todos os sistemas com acesso privilegiado.

Driver Poortry: o Osiris usa o driver malicioso Poortry para desabilitar softwares de segurança em nível de kernel. Portanto, mesmo EDRs e antivírus corporativos são neutralizados antes que possam detectar a atividade maliciosa.

O cenário de 2025 e 2026: extorsão sem criptografia cresce

O Osiris é parte de um cenário ainda mais amplo. Além dos ataques com cifragem, em 2025, somando campanhas de extorsão que não implantam ransomware mas apenas roubam dados e chantageiam, o total de extorsões chegou a 6.182 — um salto de 23% sobre 2024. Portanto, a pergunta para empresas brasileiras em 2026 não é mais “vou ser atacado?” — é “qual tipo de ataque vai me atingir primeiro e onde minha defesa está cega?”.

Em 2024 foram registrados 5.414 ataques globais de ransomware, um aumento de 11% em relação a 2023. Além disso, o Brasil segue entre os principais alvos da América Latina.

O que o Osiris muda no protocolo de proteção

Diante das capacidades do Osiris — e de famílias similares — algumas premissas precisam ser revisadas imediatamente:

VSS não é proteção suficiente: o Osiris deleta snapshots antes de cifrar. Portanto, confiar no VSS como backup é uma vulnerabilidade, não uma proteção.

Backup offsite com imutabilidade é obrigatório: backups que o ransomware não consegue alcançar ou modificar são a única defesa eficaz. Além disso, o backup precisa estar em armazenamento com imutabilidade ativada — Object Lock, WORM ou fita.

Ferramentas legítimas de acesso remoto são vetores: AnyDesk, TeamViewer e similares instalados na rede são caminhos de entrada. Portanto, o inventário e controle dessas ferramentas deve ser parte do programa de segurança.

EDR precisa de proteção de kernel: o driver Poortry neutraliza soluções de segurança em nível de kernel. Por isso, soluções com proteção de integridade de kernel — Secure Boot e HVCI — são necessárias em ambientes críticos.

O que fazer se o Osiris ou similar atacar sua empresa

O protocolo não muda — mas a urgência aumenta:

  1. Isole imediatamente todos os servidores afetados da rede
  2. Não desligue abruptamente — o estado da memória pode conter informações forenses
  3. Não reinstale nem formate nenhum sistema antes do diagnóstico
  4. Verifique backups offsite antes de assumir que não há recuperação
  5. Acione especialistas — a Crowdertech atende emergências 24 horas

Além disso, mesmo com backups deletados e snapshots apagados, a recuperação forense ainda é possível em muitos casos — porque a criptografia parcial do Osiris em arquivos grandes deixa áreas preservadas nos blocos físicos.

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Perguntas frequentes sobre o ransomware Osiris

O ransomware Osiris já chegou ao Brasil? Famílias similares que apagam backups e snapshots já atacam empresas brasileiras regularmente. Além disso, o padrão técnico do Osiris — Living off the Land mais destruição de backups — é adotado por grupos que já operam ativamente no Brasil.

Se o ransomware apagou os snapshots, ainda há recuperação? Sim, em muitos casos. A recuperação forense não depende de snapshots — acessa os dados diretamente nos blocos físicos do storage. Além disso, a criptografia parcial do Osiris em arquivos grandes preserva boa parte do conteúdo.

Backup em nuvem é suficiente para se proteger do Osiris? Depende. Backups em nuvem com versionamento ativado e imutabilidade são protegidos. Contudo, backups sincronizados em tempo real — como OneDrive ou Google Drive sem versionamento — são cifrados junto com os arquivos originais.

Como saber se a empresa foi comprometida antes da cifragem? O Osiris usa ferramentas legítimas como AnyDesk e PsExec que deixam rastros nos logs de evento do Windows. Portanto, uma análise forense dos logs antes do ataque frequentemente revela o período de presença do atacante.

Conclusão

O ransomware Osiris de 2025 representa uma evolução significativa em sofisticação — não apenas na criptografia, mas na destruição sistemática de backups e snapshots antes da cifragem. Além disso, o uso de ferramentas legítimas do Windows torna a detecção convencional ineficaz. Por isso, backup imutável offsite deixou de ser boa prática e passou a ser requisito mínimo. Sofreu um ataque de ransomware? A Crowdertech recupera dados sem pagar resgate — (11) 99630-0675. Veja também recuperação de ransomware e laudos forenses.

Fontes: CISO Advisor — Ransomware Osiris · IT Forum — Ransomware 2025 · Backup Garantido — Extorsão 2026.